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Ciganos – Quem são e como vivem – texto Casal Coimbra




Ciganos – Quem são e como vivem – texto Casal Coimbra

“O céu é meu teto, a terra minha pátria e a liberdade minha religião”.

A cultura cigana sempre exerceu enorme fascínio e curiosidade em todos os povos que conviveram próximos a eles. As roupas coloridas, as joias, o nomadismo, o romanes (Idioma próprio), as festas e celebrações e a forma de preservarem seus costumes casando-se entre si e não permitindo a presença de não ciganos em seus principais eventos, somando ao grande misticismo e religiosidade, fez com que se criassem mitos e histórias que resultaram em grande preconceito que ainda hoje vitimam os ciganos.

Nos principais estudos acerca desta etnia, a teoria de que vieram do norte da Índia é a mais aceita. Isto porque o romanes, que é o idioma próprio do povo cigano, tem muita similaridade com a linguagem praticada outrora nesta região. As teorias sobre a vida dos ciganos antes da Índia também têm muitas variantes, mas que do norte desta região eles migraram para o mundo é consenso.

Nas viagens em direção ao continente Europeu, passando pelo Oriente, pelo Egito, pela Grécia, entre outros, os gitanos foram fixando-se em alguns países, o que com o tempo, gerou a divisão por clãs, onde muitos costumes e diferenças musicais e culinárias que sentimos hoje em dia em cada grupo, originaram-se destas andanças.

No Leste Europeu, os chamados ROMS são encontrados em maior número. Sua musicalidade e dança tem grande influencia dos povos destes locais. Os ROMS são um dos 3 grandes grupos ciganos e sempre mantiveram seus costumes muito fechados. Há quem os considere os que mais guardaram as tradições das gerações passadas. Kalderash e Machuaia são alguns dos subgrupos ROM mais conhecidos no Brasil. A cidade de Campinas tem a maior colônia do país. Tem-se também que financeiramente são os mais abastados, encontrando entre eles grandes empresários e comerciantes. São o grupo culturalmente mais fechado, sendo raríssima a presença de não ciganos em suas festas e tradicionais eventos.

Os SINTI são outro grupo que na Alemanha e parte da França tem suas maiores populações. Seu idioma é uma variação do romanes e também sua forma de vida, música e costumes tem muito a ver com as comunidades com que convivem. Dos 3 grandes grupos, são os menos conhecidos e encontrados no território brasileiro.

Vindos da Península Ibérica, encontramos no Brasil os KALONS, ciganos que apesar de vários já sedentarizados, muitos vivem em acampamentos, alguns com seus dentes de ouro e tem no artesanato e comércio suas principais fontes de renda. 

As calins(ciganas) trabalham na leitura da sorte, através da quiromancia (mãos) e do baralho. É a chamada “buena dicha” e estes ganhos contribuem e muito para o sustento destas comunidades. O idioma dos KALONS é o Caló, também conhecido como shib de kalon. Que é uma variante do romanes e com palavras do espanhol e português. Hoje em dia as vestimentas dos homens lembram muito os tropeiros com suas botas, cintos com fivelas e chapéus de aba larga. Inclusive se ouve e se dança muita música sertaneja nos ranchos em que moram. As mulheres continuam utilizando vestidos e saias longas e mantém a tradição de belos brincos, colares e pulseiras.

Apesar de grandes diferenças em vários aspectos, todos os grupos e clãs têm também similaridades fortes. O gosto pela estrada e pelas viagens, o amor à dança e à música. A sensibilidade para lidar com o misticismo do baralho e das linhas da mão. As festas de noivado, de casamento e a virgindade da mulher antes do matrimonio. O pagamento do dote e o respeito ao luto dos que partiram. Os kalon queimam todos os pertences do falecido e por vários dias não participam de festejos e comemorações.

O preconceito também é outra situação que todos os grupos e subgrupos sofrem. E, infelizmente, esta é uma sina que sempre os acompanhou. Na 2ª Guerra Mundial, mais de 500 mil ciganos foram mortos nos campos de concentração nazista. O estranho é que a história nunca ou pouco se fala sobre estes massacres, citando apenas outros povos ou minorias étnicas. Ainda hoje, na Europa, ciganos são expulsos de suas casas e sofrem perseguições. São obrigados a viver em guetos separados e tratados como cidadão de segunda classe. No Brasil, apesar de mais velada, há muita informação tendenciosa e maldosa da mídia e das pessoas em relação aos ciganos. Vemos jornalistas falando muito mal deste povo e casos graves de preconceito e violência, como ocorridos em Santo Amaro da Purificação, onde após desentendimento com pessoas da localidade, os habitantes da cidade invadiram o acampamento e queimaram barracas e pertences, obrigando crianças, velhos e todos os ciganos abandonarem tudo para salvar suas vidas.

Em território brasileiro  pouquíssimas são as políticas públicas em benefício da população cigana  Ainda não houve por parte dos governantes um real interesse em atender decentemente com educação, saúde e moradia este povo. 

Nem mesmo o número de ciganos  quem são e onde vivem o governo tem noção. Outro exemplo que podemos citar é o SUS (Sistema único de Saúde) que tem obrigação em atender os ciganos, mesmo os que não possuem documentos, porém na prática muitas vezes lhe é negada a consulta médica ou a necessidade de se adequar uma ginecologista mulher para as ciganas, pois jamais elas se consultariam com um homem nesta especialidade. Até porque muita gente desconhece que os ciganos são uma etnia. Misturam com religião e até mesmo com folclore. A diferença entre ciganos e outros povos é que os primeiros consideram o mundo sua pátria (“onde estão os meus pés, eis aqui a minha pátria”) e os demais tem território demarcado nos mapas. Fora isto, ciganos tem cada um sua religião e sua crença, tem seu próprio, sua bandeira, seus costumes, suas tradições e uma riquíssima história.

Os ciganos em suas andanças pelo mundo incorporaram muitas características culturais das regiões por onde passaram, mas neste processo também deixaram forte influência de seu modo de vida nos povos que mantiveram contato.

A Espanha, por exemplo, teve sua música e dança fortemente influenciadas pelos gitanos. A região sul, Andaluzia, ainda hoje é grande reduto de ciganos. Esta é inclusive uma região extremamente marcada por canções e bailados flamencos, que são uma fusão da arte dos  habitantes antigos desta região, com os costumes artísticos e musicais dos árabes ( que invadiram a região) e dos ciganos que lá chegaram e ainda hoje residem.

Santa Sara Kali é considerada a padroeira dos ciganos, porém nem todos tem veneração por ela. Os ciganos que seguem religiões evangélicas, por exemplo, não lhe rendem homenagens. Mas para a enorme maioria, Ela é a Santa mais celebrada. É a advogada dos ciganos perante Deus. 

Seu dia é comemorado em 24 de maio e a maior de todas as festas ocorre em Saites Maria de la Mer, na região de Camargue, na França, onde segundo a lenda, Sara desembarcou com José de Arimatéia,  Maria Madalena, Maria Salomé e Maria Jacobina,após terríveis tormentas no mar. Os devotos levam lenços (dicklo) como forma de agradecimento pelas graças recebidas. O mesmo tipo de lenço que as mulheres casadas utilizam dentro dos costumes da tradição cigana.

Que este breve relato sirva de esclarecimento de quem são e como vivem os ciganos e que a sociedade passe a respeitá-los e principalmente incorpore os valores que a cultura cigana sempre prezou, que são a preservação da natura, o cuidado com as crianças, o respeito pelos idosos e o zelo pela instituição familiar.

Opre Romale – texto Casal Coimbra


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