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A Teologia de Umbanda




A Teologia de Umbanda
Por Rubens Saraceni


Escrever sobre Teologia de Umbanda não é tarefa fácil porque antes precisamos definir o que é

Teologia e o que é Doutrina de Umbanda.

• Teologia: tratado de Deus; doutrina que trata das coisas divinas; ciência que tem por objeto o dogma e a moral.

• Doutrina: conjunto de princípios básicos em que se fundamenta um sistema religioso, filosófico e político; opinião, em assuntos científicos; norma (do latim doctrina).

Pelas definições acima, teologia e doutrina acabam se entrecruzando e se misturando, tornando difícil separar os aspectos doutrinários dos teológicos, principalmente em uma religião nova como é a Umbanda que, para dificultar ainda mais esses campos distintos, está compartimentada em várias correntes doutrinárias.

Panteões formados pelas mesmas divindades mas com nomes diferentes confundem quem deseja aprofundar-se no seu estudo.

Autores umbandistas temos muitos! Mas as linhas doutrinárias os separam e em um século de Umbanda ainda não foi possível uma uniformização teogônica ou doutrinária. Então, imaginem a dificuldade em tentar algo no campo teológico.

Quando iniciei um curso nomeado por mim “Curso de Teologia de Umbanda”, isto no ano de 1996, foram tantas as reações contrárias que esse meu pioneirismo gerou até um certo auto isolamento, que me impus para preservar-me e ao meu trabalho no campo da mediunidade, da psicografia e do ensino doutrinário.

Ser pioneiro e iniciar algo até então não pensado por nenhum outro umbandista gerou para mim uma certeza inabalável:

• Na Umbanda, tirando a parte prática ou os trabalhos espirituais, tudo mais ainda está para ser uniformizado e normatizado.

• Batizados, casamentos, funerais, iniciações, etc., cada corrente doutrinária tem seus ritos e ninguém abdica do seu modo e prática particular em benefício do geral ou coletivo.

Eu mesmo, orientado pelos mentores espirituais, desenvolvi ritos de batismo, de casamento, de funeral e de iniciação fundamentais e possíveis de serem ensinados em aulas coletivas e de serem realizados com grande aceitação por quem a eles se submetesse, já que são muito bem fundamentados.

Mas, não para surpresa minha, já que não esperava que fossem aceitos, foram recusados por muitos e admitidos só por uma minoria.

E mais uma vez os umbandistas desdenharam ritos fundamentais em pé de igualdade com os das outras religiões e continuaram casando-se em outras religiões e batizando seus filhos fora da Umbanda.

Só uma minoria é fiel aos seus ritos! Com isso, perde a religião e perdem os umbandistas.

Lembro-me que, quando comecei o meu curso de Teologia, um grupo que pratica uma Umbanda diferenciada (segundo eles) criticou-me violentamente e tudo fez para desacreditar-me e aos meus livros, mostrando-me como um ignorante e a eles como doutores nisto, naquilo e naquilo outro.

Os leitores, que não desinformados, ainda que a maioria não seja doutores, não deixariam de notar a falta de fundamentos ou de fundamentação em tais críticas.
Pressa e oportunismo não são bons companheiros de quem deseja semear algo duradouro no tempo e na mente das pessoas, principalmente entre os umbandistas, tão refratários a mudanças.

Eu, com muitos livros teológicos e doutrinários já escritos há muito tempo, não me animei em publicá-los antes de ter iniciado o meu curso em 1996, e só anos após ministrá-lo a centenas de pessoas e ser aprovado por elas ousei colocar ao público livros de Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada. Mas antes, tomei a precaução de testar minha teoria de que havia criado um novo campo de
estudo para os umbandistas já que, sem a aprovação deles, de nada adiantaria lançá-lo pois cairia no vazio e no esquecimento, tal como já está acontecendo com os livros dos meus mais afoitos críticos,  detratores e vilipendiadores.

Quem tenta se apropriar das ideias e das criações alheias corre o risco de ser tachado com a pecha de oportunista e deve tentar destruir a todo custo quem teve a ideia primeiro e criou algo de bom. Caso contrário, este alguém sempre os acusará e mostrará a todos que oportunismo e esperteza em religião têm vida curta porque não prosperam no tempo, além de não contarem com a aprovação da espiritualidade e dos sagrados orixás, que não delegaram a ninguém o grau de reformador da Umbanda, pois ela ainda não ultrapassou a sua fase de implantação no plano material.

Os meus livros também se inserem nessa fase e espero que este meu comentário sirva de estímulo a outros umbandistas (não apressados e não oportunistas) e que venham a contribuir para que seja criada uma verdadeira “literatura teológica umbandista”, tão fundamental quanto indispensável à doutrina de Umbanda.

Eu sei que isso demorará muito tempo para acontecer, mas sou obstinado e continuarei a contribuir com o calçamento do caminho que conduzirá as gerações futuras à concentração dessa nossa necessidade.

Texto de Rubens Saraceni extraído do livro “Tratado Geral de Umbanda"


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