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Mediunidade – Religião – Obra de Kardec -





Mediunidade – Religião – Obra de Kardec -

 Médium é todo aquele que está entre a realidade material e a realidade espiritual.
O que tem a capacidade de “intermediar”, de ser o medianeiro, o médium.

 Existem vários tipos de mediunidade, de capacidades mediúnicas, porém, nunca uma descredencia a outra.

Todas as pessoas são médiuns em maior ou menor grau, o que não quer dizer que uma pessoa seja mais, ou melhor, que a outra como médium.

A partir do momento que Kardec passou a questionar a capacidade mediúnica das pessoas por ele selecionadas para compor o “Livro dos Espíritos”, é que surgiu “ O Livro dos Médiuns”, obra que trata da mediunidade especificamente.

“O Livro dos Médiuns” é uma obra de perguntas e respostas com comentários de Kardec sobre a mediunidade.

Os espíritos respondiam, Kardec anotava, resumia e comentava as respostas dentro do contexto da época que viveu e redigiu a obra, isso é importante observar, pois se passaram mais de cem anos desde então.
É importante observar também a rejeição de Kardec às religiões, mesmo porque, como cientista, tal postura é absolutamente normal e previsível.

Dentro desta postura científica, basicamente, é que Allan Kardec passa a estudar a mediunidade e seus diversos perfis.

Avançando em seus estudos, Kardec passa a questionar sobre a qualidade das comunicações, ou seja, passa a se ocupar da veracidade das comunicações, bem como do grau de evolução do espírito comunicante lançando as seguintes questões:

Quem pode se comunicar?
Como posso saber se a comunicação que se recebe é boa?
Em que se baseia a comunicação?
Qual ferramenta é utilizada?
Que referência usar para se ter segurança quanto à boa comunicação?
Como saber se o espírito comunicante tem luz?

A fim de responder a essas perguntas, Kardec, vivendo numa época cuja cultura judaico cristã, na França, predominava, foi orientado a adentrar no estudo do Evangelho, parte Bíblica do Novo Testamento que se refere à vida de Jesus.

E surge a Obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, resposta às questões sobre a segurança e às boas comunicações, pois, a partir daí toda comunicação deverá se pautar na visão Cristã do mundo.

Apesar de manter sua postura de cientista, Kardec é orientado pelos espíritos a desenvolver seu método a partir do Evangelho, portanto, a Doutrina Espírita se torna essencialmente Cristã, mesmo sendo seu codificador avesso a toda e qualquer religião, exaltando a ciência.

A essas alturas podemos raciocinar:

Se Kardec tivesse vivido dentro de uma realidade Muçulmana, teria escrito o “Corão Sob a Luz do Espiritismo”, se o caso fosse num contexto Judeu, teríamos “ A Tora Sob a Luz do Espiritismo”, porém, a realidade na qual se encontrava, pelos idos de 1800, era Cristã, ou seja, temos então “O Evangelho Segundo o Espiritismo” que não desqualifica os outros livros sagrados, mas sim o que houve foi o aproveitamento, pela espiritualidade, do contexto no qual vivia Kardec e a maioria das pessoas no globo naquele momento da codificação.

Kardec não inventou a mediunidade.

A mediunidade sempre existiu desde que o mundo é mundo, desde que o homem é homem.

A partir do momento que surge o Homo sapiens, ele é também um Homo religioso, um Homo médium que tem esse dom de comunicar-se com os espíritos.

Profetas eram médiuns, santos eram médiuns, sacerdotes, iluminados de todas as culturas são médiuns.

Oriundo de uma sociedade religiosa castradora, Allan Kardec vislumbra na comunicação direta com a espiritualidade, o fim da necessidade da religião, aliás, teoria na qual depositava sua crença.

Uma de suas frases referentes à Doutrina é:

“Isso aqui não é religião, religião castra o dom, nós estamos justamente trabalhando esses dons, nós não queremos ritual, nós não queremos dogmas, nós não queremos verdades inquestionáveis. Nós queremos uma ciência, a ciência dos espíritos”.

Depois de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” veio a obra “O Céu e o Inferno” que trata das questões sobre as faixas espirituais de luz, trevosas, sobre os anjos, demônios e etc.

Na obra “A Gênese” trata da origem das coisas a partir das respostas dos espíritos, ou seja, sob essa “nova” visão espiritual.

No livro “Obra Póstuma”, existe um conjunto de textos que Kardec guardara sem publicação, mas que é considerado parte integrante de seu código espírita, foi publicado após o desencarne de Kardec.

Considerada a Ciência do Espírito, a Doutrina codificada por Kardec é uma Doutrina essencialmente cristã, voltada para a fé e para Deus que foi buscar, junto aos espíritos, as mesmas respostas que as pessoas buscam em outras religiões.

Questionado sobre a diferença entre religião e sua Doutrina, Kardec responde:

“Ideologicamente é uma religião, formalmente é uma ciência, por que não temos as formalidades ritualísticas de uma religião, não temos os dogmas, nós somos livres, mas ideologicamente, nós somos aquilo que as religiões deveriam ser”.

Hoje em dia o Espiritismo continua afirmando que não é uma religião, que é uma ciência, mas quando você pergunta para um Espírita:
“Qual é a sua religião?” Ele responde:

“Eu sou Espírita”.

Onde o homem coloca a sua fé está sua religião.

 O espiritismo se auto proclama ciência dos espíritos por conta da postura de Kardec, que não aceitava religião.

Podemos dizer que o Espiritismo é uma forma de religião porque as pessoas se reúnem para rezar e porque a maior quantidade de Espíritas no mundo está no Brasil, que é também o país mais Católico do mundo.

No Brasil o espiritismo tem o maior perfil religioso e de religiosidade que em outras partes do globo.

O espiritismo brasileiro é extremamente religioso, tem um método próprio de fazer sessão, de aplicar um trabalho que tem uma estrutura quase que ritual de receber as pessoas, de fazer uma preleção, de colocar água para fluidificar, de dar orientação, de dar um passe magnético de limpeza, descarga e uma orientação.

 É praticamente uma ritualística na qual, em algum momento, vai ser feita uma leitura da obra de Kardec.

É uma ritualística, na maioria das vezes, feita numa mesa com uma toalha branca, água em cima da mesa, o livro de Kardec posto, ritualisticamente, repetido semanalmente no mesmo lugar, no mesmo horário, com o mesmo método, da mesma forma, recebendo as pessoas e trabalhando a sua fé, a sua religiosidade.

 Podemos aceitar que é a ciência dos espíritos, porém, é extremamente religiosa e supre as necessidades de fé daqueles que professam sua doutrina, o espiritismo codificado por Allan Kardec.

Anna Pon
11/10/2014                       

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