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Umbanda – Fatos Históricos



Umbanda – Fatos Históricos 


O período, chamado de legitimação da Umbanda, aconteceu entre 1929 a1944, em plena era Vargas que assumiu o poder em 1930.

Nessa época já existiam tendas/terreiros de Umbanda em todo o território nacional.

Começa também, nesse período, a surgir a Umbanda mesclada a outras religiões, como o Candomblé, por exemplo, e uma grande confusão se inicia.

Esse período marca a necessidade de o Umbandista explicar o que é e o que não é Umbanda, necessidade esta que perdura até os dias de hoje.

Por conta da perseguição policial aos terreiros, nessa época, começa a surgir outra necessidade, a de legitimar os terreiros/tendas, a fim de que a ordem e a liberdade de culto fossem preservadas em bases legais.

Em 1933, Leal de Souza, médium preparado pessoalmente por Zélio de Moraes, publica o primeiro livro sobre a religião de Umbanda com o título: “ O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda”.

Este livro foi escrito com base na vivência de terreiro de Leal de Souza e é um registro histórico, muito valioso, da religião.

Nessa época, Leal de Souza dirigia a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição. Todo seu trabalho foi fundamentado nos ensinamentos do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Em 1934, Gilberto Freyre realiza em Recife, o primeiro congresso afro-brasileiro. Fato que fortaleceu a vontade de os Umbandistas se organizarem melhor.

Zélio de Moraes sempre se manteve presente e atuante no período de organização da Umbanda e, em 1939, por ordem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, foi fundada a primeira Federação de Umbanda do Brasil.

No ano de 1940, Zélio consegue registrar, em cartório, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, berço da religião. Foi um longo período até a consumação desse registro, muito por conta do preconceito e má vontade das autoridades.

Em 1941, a primeira Federação de Umbanda realiza o Primeiro Congresso Nacional de Espiritismo de Umbanda em 1941.

Zélio de Moraes se alia com Benjamim Figueiredo e os intelectuais da época como Leal de Souza e tantos outros para num Congresso Nacional sobre a religião de Umbanda, começar a dar algumas diretrizes, algumas normas e dar orientação para que os demais praticantes da religião também comecem a registrar os seus Terreiros em cartório para que todas as outras Tendas de Umbanda ao modelo desta Federação e desta Tenda de Zélio, também começassem a se legalizar.

Com base nesta ação, outras Federações de Umbanda começam a surgir, bem como o intercâmbio entre dirigentes de vários Estados. Em São Paulo e no Rio Grande do Sul a Umbanda começa a ganhar força.

Estes fatos ocorreram em 1941 durante o congresso acima citado que marca, também, o surgimento de outros autores Umbandistas como Lourenço Braga, por exemplo, com a obra “Umbanda e Quimbanda”.

O primeiro a falar sobre sete linhas de Umbanda é Zélio de Moraes, sete linhas de Umbanda é um fundamento da religião.

O primeiro a escrever sobre sete linhas de Umbanda é Leal de Souza e o primeiro a estruturar as sete linhas de Umbanda com legiões para cada linha mais sete vibrações é o autor Lourenço Braga, que é também um autor importante dentro do nosso estudo histórico da religião de Umbanda.

Os fatos ocorridos no Congresso estão registrados em livro e aqueles que tiveram acesso a tal material,  comentam que, os responsáveis pelo Congresso em questão, tinham a firme “preocupação” em desafricanizar a Umbanda.

 As teses que foram aceitas são as teses que tentam desafricanizar a Umbanda porque naquele momento era o caminho para vencer o preconceito contra a influência afro dentro da religião de Umbanda ou de qualquer outra religião. Então, surgem teses curiosas, teses interessantes.

Entre as teses que aparecem, podemos destacar uma, bem peculiar, que é a tese da Tenda Mirim apresentada pelo senhor Diamantino no primeiro Congresso.

É a tese da “Aumbandã” de que a Umbanda seria a mais antiga de todas as religiões e que o nome dela seria “Aumbandã” e que teria vindo da Lemúria, da Atlântida, passado pela Índia, pela África e depois chegava ao Brasil.

Essa é uma tese que aproxima a Umbanda exatamente da teoria sobre a Teosofia e, nesse momento, marca já no começo da religião, um perfil daqueles que querem estudar a Umbanda misturando-a com alguns conhecimentos do Ocultismo e do Esoterismo, portanto, nasce na Tenda Espírita Mirim aquilo que no futuro se chamaria “Umbanda Esotérica”.

Já temos na Umbanda, a partir desse Congresso, o perfil do trabalho de Umbanda de Zélio de Moraes e, começa a surgir um perfil de Umbanda Esotérica ao mesmo tempo em que temos também a chamada “Umbanda Popular” que é a Umbanda praticada sem exatamente se saber o porquê de cada um dos elementos, os fundamentos da religião.

Em 1940, temos, portanto, pelo menos três vertentes de Umbanda: a Umbanda mais tradicionalista de Zélio, a Umbanda Popular e surge a Umbanda Esotérica.

Falar em Umbandas, de forma plural, não é algo novo.

Como em todas as religiões há diversidade.

Na Umbanda também é assim, de qualquer forma, estão todos juntos trabalhando num Congresso e entendendo: você tem a sua particularidade, o outro tem a particularidade dele, mas todos estão praticando uma única religião, a religião de Umbanda.

Anna Pon
02.12.2014

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)



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