ÍNDIAS DEUSAS - BARTIRA
Por Rosane Volpato
Na encantadora ilha de Urubuquiçaba, que fica entre os formosos montes Mandubas e verdes
montanhas Japuís, perto da lendária Porchá, costumava banhar-se nas claras águas da branca praia,
em frente a grande planície, a jovem Bartira.
A linda guerreira, filha de Tibiriçá, fizera da lendária ilha o seu ponto preferido. Sem saber,
caminhava a jovem para a imortalidade, pois a parte do mundo onde nasceu, iria chamar-se
Piratininga.
Um dia, quando a guerreira despertou, já caminhava no meio do céu o sagrado deus
Guaraci, nenhum vento rude soprou, a bela região lhe sorria pacífica e o Senhor do Dia, brilhava
majestoso no céu azul.
A donzela ergue-se e virando-se viu surgir um guerreiro branco, apresentando
musculoso corpo e belo aspecto, não devendo nada aos sacros deuses.
Deixando a sombra dos angicos, o estranho disse à Bartira, que já estava vivendo ali há muitos
dias e que gostaria imensamente de conversar com ela, beijar-lhe inocentemente a meiga mão de
virgem, atingindo assim seus puros desejos.
Logo, o jovem branco e Bartira, amaram-se
apaixonadamente e, empreenderam muitos feitos heroicos e várias vezes demonstraram grande
bravura.
No planato de Piratininga, dominava naquele tempo, Tibiriçá, irmão de Tapiro, que preparava
para a deusa Aracy, o delicioso Tapicurú, aí, Bartira em companhia de seu marido e seus dois irmãos,
Ítalo e Ará, muitas batalhas venceu.
Ítalo tinha os olhos verdes e pela vontade de Inochiné, seu
padrinho, ele podia enxergar de qualquer distância, mesmo através de sólidas rochas. Ará, o valente,
conforme era chamado por todos, tinha tanta força que, certo dia arrancou um grande pé de ipê do
solo e o arremessou violentamente por sobre as águas do fundo Tietê.
Certa vez, o cruel Inhampuambucú com seu irmão Piqueputipuá, raptaram as duas primas de
Bartira e esconderam-nas em uma funda caverna em meio a uma densa floresta. Então, Ítalo que
caçava no monte Jaraguá subiu no alto de um pinheiro, olhou por toda a planície e rochedos
descobrindo numa caverna perto de Tremembé, as duas irmãs.
Avisada, Bartira partiu até lá e antes
que os raptores pressentissem, a guerreira com valentia e impetuosidade atirou-se sobre eles e,
arremessando a lança contra o peito de Inhampuambuçu, o fez cair no chão sem vida.
Então
rapidamente precipitou-se sobre Piqueputipuá e com uma flecha certeira, atravessou-lhe as entranhas
e ele cambaleou, caindo em seguida ao solo perecendo.
Todos os dias, quando não estava no planalto Bartira nadava nas verdejantes águas da ilha de
Urubuquiçaba e durante muitas luas, Tibiriçá desceu nestas belas praias, onde foram realizadas
grandes celebrações.
Os filhos de Bartira e João Ramalho foram: Jundá, que abateu o cruel Coandú; Cari, o cantor e
Jati, que ergueu o primeiro cercado no planalto de Piratininga.
Estes são os filhos heróis da grande tribo Guaianás, que foram chefes e conselheiros nas terras
do alto Paraná e no fecundo planalto de Piratininga, antes da chegada dos brancos Lusitanos.
Foram:
Puambú, descendente do sábio Tuperi, que foi naqueles tempos remotos o oitavo pagé da nação Tupi.
E Puambú que foi pai de Tori.
E estes são os filhos de Tori que lhe nasceram do seu primeiro
casamento com Jurema: Anhã, Guiá, Membira e Ipojuçá, o mortífero. E Guaiá foi amante de Repoti
filho de Igape e teve de Repoti a Mirá que foi esposa de Itajubá.
E Itajubá tomou para a sua mulher a
bela Arumã e ela lhe deu dois filhos, Piquerobi e Tibiriçá.
Tibiriça casou com Potira. E os filhos de Potira foram: Ítalo, Ará, Pirijá, Aratá, Toruí e Bartira
que foi esposa de João Ramalho.
Esta é a descendência de Tibiriçá segundo as suas gerações e
espalharam-se por todo o imenso Brasil. Alguns foram viver entre os intrépidos Tupiniquins, já outros
uniram-se aos valorosos Tupinambás. Todavia, Tibiriçá e Bartira fizeram aliança com os homens
brancos, ficando no planalto de Piratininga e viram o início da glória do fecundo.
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