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Orixás na Umbanda


Orixás na Umbanda 
por Rubens Saraceni 
 
A Umbanda em seu início, pela própria formação religiosa dos seus primeiros praticantes, todos ligados ao saudoso Pai Zélio de Morais, era fortemente influenciada pelo Espiritismo e pelo Cristianismo. A Umbanda em seu início era considerada espírita e os médiuns se apresentavam como espíritas de Umbanda, diferenciando-se dos médiuns espíritas kardecistas. 

Entendemos como normal esse início da Umbanda porque algo novo em religião e espiritismo estava começando a tomar forma e a assumir lentamente a sua identidade. Com o passar do tempo, a presença dos Orixás foi acentuando-se e aconteceu um distanciamento salutar do Espiritismo kardecista, pois, ou isso acontecia ou a Umbanda nunca deixaria de ser uma versão brasileira dele. E não fora para isso que ela havia sido criada e sustentada. 

Uma religião estava nascendo, pois já havia sido pensada no astral. Não vemos anormalidade no fato de ela ser apresentada como “espírita, cristã, branca, iniciática, esotérica, etc.”. Tudo foi ou ainda é parte de um processo maior, que é a cristalização de uma nova religião, em que cada um que aderiu a ela deu sua contribuição trazendo o que havia de melhor na sua formação anterior. Mas chegou um momento em que as práticas, fundamentadas nos Orixás, começaram a predominar e a impor-se sobre as outras correntes de trabalhos espíritas ou iniciáticos e uma feição forte começou a se mostrar em todo o seu poder e esplendor: o culto aos sagrados Orixás. 

Vários nomes dados a Deus (Tupã, Zambi, etc.) começaram a ceder lugar a Olorum, o nosso Divino Criador. A trindade Olorum, Oxalá e Ifá assumiu o lugar de Pai, Filho, Espírito Santo, e os Orixás foram substituindo os santos católicos apostólicos romanos. 

Os livros espíritas começaram a ceder lugar aos de autores umbandistas compromissados com os Orixás e muitos dos ritos e magias do já tradicional Candomblé foram incorporados às práticas de Umbanda. 

Muitos autores delinearam cosmogonias e teogonias umbandistas, fundamentadas nas heranças dos cultos de nação, então muito resguardados por seus preservadores africanos e por seus filhos e netos brasileiros.  

A pajelança brasileira entrou firme com seus conhecimentos e toda uma contribuição com a natureza, atrelando à Umbanda os trabalhos nas matas e com as ervas.  Religião mágica ou magia religiosa, eis o campo fértil onde os Sagrados Orixás começaram a ser semeados! 

Em ambos os casos os Orixás são insuperáveis porque tanto podem ser cultuados religiosamente como são os senhores da magia sagrada. Foi um processo lento conduzido pela espiritualidade que introduziu os Orixás como poder predominante e condutor da Umbanda. 

No decorrer de um século tudo foi acontecendo tão naturalmente que, na transição do poder dos santos católicos para os Orixás, agora só falta a substituição das imagens religiosas.  

Atualmente, o sincretismo entre duas culturas religiosas praticamente desapareceu e até imagens africanas já ocupam os altares umbandistas ou são construídas com uma simbologia mais representativa da nova religião. Em simbologia, a Umbanda é riquíssima e tem tantos mistérios à sua disposição que seus altares a diferencia das outras religiões. Cada centro tem seu Orixá patrono, e ao lado dele estão todos os outros, sempre prontos para auxiliarem quem neles depositar sua fé, seu amor e seu respeito. 

Orixá na Umbanda, é isto: poder divino enviado por Olorum para nos amparar! 


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